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Cozinha com ilha ou com península?

Onde: Curitiba • 26 de Setembro - 2020 | Fotos JP Image e Photons Fotografia

Arquiteto Renan Altera explica as diferenças e como adotar cada modelo nos projetos

Na integração das áreas sociais da casa as cozinhas tem ganhado protagonismo, demandando projetos que, além da funcionalidade indispensável para o ambiente, proporcionem uma estética agradável que possa ficar à vista de todos. Na ausência das paredes, que antes as escondiam, atualmente as cozinhas ressaltam a amplitude do conceito aberto, com presença de ilhas e penínsulas. Mas como escolher a melhor solução para o cômodo e, ao mesmo tempo, trazer uma atmosfera prática, sofisticada e conectada com a proposta do décor? À frente da Altera Arquitetura, o arquiteto Renan Altera afirma que "O brasileiro expandiu sua percepção e se apaixonou pela ideia por mostrar sua cozinha e tornar o ambiente gostoso para receber seus convidados", e dá dicas para ajudar nesta decisão.

Península ou ilha de cozinha?

Ao decidir pela cozinha aberta e integrada o próximo passo é entender a diferença entre península ou ilha. De forma simplificada, assim como na geografia, ilha é aquele elemento que não tem conexão nenhuma com os armários ou paredes, enquanto a península apresenta um dos lados conectado aos móveis adjacentes ou até mesmo com a parede lateral.

Ligada com a parede, a bancada da península realizada por Renan conta com cooktop a gás, cuba com torneira gourmet e exaustor que elimina cheiros e gordura antes que se espalhem pelo apartamento | foto: photons fotografia

Para optar entre a instalação de ilha ou península é necessária uma análise detalhada do layout da cozinha. Nesse contexto, o arquiteto faz as medições para avaliar a circulação - fundamental para o conforto de quem vai utilizá-la -, assim como o espaço para a instalação. Com esses pontos em mãos, é hora de determinar as dimensões e verificar o que possível instalar nessa bancada. "A depender da área da cozinha, muitas vezes não conseguimos agregar, no mesmo local, a pia, o cooktop e ainda propiciar espaço para o manuseio. Tudo é pensado com bastante atenção", explica o arquiteto.

Em paralelo, a infraestrutura também direciona o caminho: afinal, é preciso haver ligação com a hidráulica quando a pia é instalada na ilha ou península, bem como pontos de gás ou energia, a depender do tipo de cooktop escolhido, além de eventuais eletrodomésticos incorporados na bancada.

Quando a obra envolve um reposicionamento do layout original do imóvel a obra implica na execução de muitas modificações. "Costumo dizer que devemos ser prevenidos também. Mesmo que o cliente escolha o cooktop por indução, por uma deliberação nossa gostamos de deixar um ponto de gás disponível. Costuma ser muito útil caso mude de ideia no futuro e queira trocar tipo de abastecimento do seu fogão", relata o arquiteto.

Seja na ilha ou na península, a coifa na área superior é indispensável. Segundo Renan, em função do design, sua preferência é pela coifa cilíndrica, que oferece a mesma eficácia que a coifa chapéu. "De forma alguma abro mão dela em meus projetos", confessa. Outro cuidado está relacionado à infraestrutura necessária para a utilização da coifa por exaustão, que tem por premissa a retirada do odor e gordura. No entanto, quando não existe a possibilidade de construir essa saída por alguma limitação estrutural, a coifa por depuração é uma boa alternativa.

Pontos de apoio à bancada

Em 'L', a península é uma continuação da bancada de quartzo silver grey da vitiello e romano (com escorredor esculpido no mesmo material) e conta com pia, cooktop e marcenaria sob medida para a máquina lava louça. O arquiteto incluiu espaços vazados para a disposição das louças e utensílios. A preocupação com a e um discreto lixeiro embutido com tampa de inox. | foto: photons fotografia

No processo de elaboração do projeto também é importante investir em uma área de armazenamento próxima (ainda mais em ambientes com metragens generosas) pois isso torna a cozinha mais funcional. Um recurso bastante empregado é a serralheria acima da ilha. "Normalmente chamamos de cristaleira, pois ela acabando fazendo as vezes de uma estante clean. Dessa forma, podemos dispor itens de decoração, temperos, livros e taças... Escolhas que resultem em uma aparência moderna, charmosa e muito funcional".

Entre todos os atributos da ilha e da península, não podemos deixar de realçar sua atribuição como local de refeições. Tanto para as situações corriqueiras do dia a dia, como para recepcionar os convidados enquanto o morador prepara uma receita, quem sonha com uma cozinha nesse formato também almeja uma superfície de apoio com banquetas. Para tanto, além da área estimada para a funcionalidade da ilha, o projeto deve considerar um acréscimo de, pelo menos, 40 cm de bancada para que a pessoa possa se acomodar com conforto.

Para tornar a parte inferior da ilha funcional a melhor escolha é apostar na marcenaria: "Normalmente, na parte inferior, deixamos a marcenaria preparada para facilitar a dinâmica do dia a dia. Por exemplo: logo embaixo do fogão as gavetas para os talheres e outras maiores para as panelas ajudam muito quem está cozinhando".

Principais materiais para revestir a ilha

Entre os materiais disponíveis no mercado o arquiteto possui predileção pelo dekton, pedra industrializada produzida a partir da mistura das matérias-primas usadas na fabricação de porcelana, vidro e superfícies de quartzo. Por conta de suas propriedades as bancadas neste material são muito resistentes e não mancham. "Entretanto, em alguns orçamentos pode não ser viável por conta do valor alto do produto", conta Renan. Nestes casos tampos de quartzo também são bastante indicados, porém pedem atenção quanto ao calor ao apoiar panelas diretamente na pedra. Em relação ao custo benefício, entram as pedras naturais, como o granito, que sempre representam uma boa alterativa em termos de resistência. 

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