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Raízes Brasileiras

Julia Campos Mulinari Onde: São Paulo • 21 de Setembro - 2026 | Fotos Fran Parente

Com foco na brasilidade rústica e rigidez formal, nova loja da MISCI substitui acabamentos padronizados por texturas minerais e desenvolvimento exclusivo de cores.

Arquitetura comercial contemporânea. Assinada por Gabriel Contreira e Airon Martin, a fachada e a vitrine da nova unidade no Pátio Higienópolis traduzem a identidade da marca para além do vestuário.

O projeto da nova loja da MISCI no Shopping Pátio Higienópolis ilustra um movimento consistente no varejo contemporâneo de moda e design: uma movimentação clara em direção às raízes brasileiras, priorizando elementos vernaculares, texturas minerais e uma brasilidade rústica. Em vez de acabamentos estéreis, os novos espaços apostam em conceitos táteis que remetem ao barro, à terra, à pedra e à areia, construindo uma atmosfera de pertencimento e memória afetiva para redefinir a experiência comercial a partir da origem dos materiais.

 

A MISCI — marca brasileira de vestuário e design reconhecida por traduzir a identidade cultural do país em modelagens e coleções autorais — é marcada por uma forte trajetória voltada à investigação da identidade nacional, transpondo a brasilidade das coleções de vestuário para o espaço físico.

 

Fundada por Airon Martin, a marca articula referências do modernismo e da arquitetura vernacular em sua nova loja, projetada pelo arquiteto Gabriel Contreira em colaboração com o próprio Airon. O ambiente busca evitar o uso de soluções decorativas superficiais, tratando o espaço como uma extensão direta da produção criativa da marca: "Essa escolha aproxima o cliente da arquitetura antes mesmo da roupa e queríamos que o espaço tivesse a mesma honestidade que buscamos nas coleções: sofisticado, mas sem esconder sua origem", afirma Airon.

 

Rigor formal e brasilidade rústica: o projeto da nova loja da MISCI aposta em revestimentos texturizados e no tradicional piso de cacos de pedra, resgatando a memória da arquitetura residencial brasileira.

 

A identidade brasileiríssima começa já no piso, que resgata o desenho clássico dos cacos de pedra, revalorizando um elemento recorrente na arquitetura residencial brasileira de meados do século passado. Nas paredes e teto, a aplicação de revestimentos texturizados substitui o acabamento convencional. Para essa unidade, um dos principais elementos é a textura da linha Predial, da Terracor.

 

Matéria e permanência. Desenvolvida sob medida em parceria com a Terracor na linha Predial, a textura mineral das paredes confere profundidade e reforça a honestidade construtiva do espaço.

 

"A Terracor é uma marca que possui expertise no desenvolvimento e reprodução de cores em diferentes texturas do catálogo. A partir de uma pequena amostra, como um azulejo, tecido ou outro material de referência, é possível desenvolver uma tonalidade específica para a textura escolhida, buscando reproduzir a cor desejada com precisão”, explica Vivian Laniado, diretora de marketing da Terracor.

 

Como o projeto exigia uma solução específica para a nova base da linha Predial, cuja tonalidade original não integrava o catálogo padrão daquele acabamento, a Terracor realizou um trabalho de formulação sob medida, tomando como referência o tom 543 da linha Terracal — já empregado em outras unidades MISCI. "A partir dessa referência, a Terracor desenvolveu a mesma tonalidade especificamente para aplicação na textura Predial", complementa Vivian.

 

 Diálogo entre moda e design nacional: o ambiente integra peças icônicas como a poltrona Pilão — fruto da colaboração entre a MISCI e o Estúdio Orth —, unindo referências culturais e materiais genuínos.

 

A escolha do revestimento confere profundidade às superfícies e enfatiza o aspecto tátil, reforçando que a textura "cria profundidade, envelhece com beleza e transmite uma sensação de permanência, fugindo da estética excessivamente polida e internacionalizada que domina o varejo de luxo", como destaca Airon. Ao alinhar arquitetura, matéria-prima local e um discurso centrado na essência brasileira, o projeto aponta para um novo patamar do design comercial brasileiro, em que a experiência de varejo decorre da valorização das próprias raízes, e não da ostentação sem significado.

 

 

 

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