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Produtos & Tendências

Guia do ar-condicionado

Onde: Curitiba • 06 de Setembro - 2021 | Fotos Créditos nas fotos

Arquitetas esclarecem dúvidas e compartilham soluções para escolher o aparelho perfeito

Projeto Oliva Arquitetura - Foto: Daniel Lee

 
Houve um tempo em que o ar-condicionado era considerado um artigo de luxo; com o passar dos anos, porém, essa ideia foi se dissolvendo e o aparelho foi ficando cada vez mais presente nos lares dos brasileiros. As mudanças climáticas e as temperaturas elevadas fizeram do aparelho um item indispensável para proporcionar conforto e qualidade de vida aos moradores. Apesar disso, muitas dúvidas surgem quanto ao aparelho ideal e melhor local de instalação.

"A primeira grande pergunta que ouvimos nas conversas com nossos clientes está relacionada ao BTU do equipamento, tendo em vista o tamanho do ambiente. A outra diz respeito ao local de instalação", explica a arquiteta Fernanda Mendonça, sócia do escritório Oliva Arquitetura, que mantém ao lado da também arquiteta Bianca Atalla. "Nosso trabalho é posicionar o ar-condicionado de forma a beneficiar não apenas o local específico em si, mas no contexto do layout, principalmente quando falamos de projetos com ambientes integrados", completa. Ao lado da arquiteta Cristiane Schiavoni, do escritório Cristiane Schiavoni Arquitetura e Interiores, as especialistas do escritório Oliva Arquitetura prepararam um check list que deve acompanhar o morador nas decisões que envolvem a aquisição e instalação do ar-condicionado. Confira:

 

O que é preciso saber antes de comprar o ar-condicionado?

"Antes de efetuar a compra, nosso trabalho como arquiteto é analisar o espaço minunciosamente", descreve Cristiane Schiavoni. Além da questão física, o número de usuários também interfere na performance do equipamento.

"O ponto de partida é conhecer as características de dimensionamento do ambiente", pontua Cristiane. A área do cômodo, altura do pé-direito, a média de pessoas que ocuparão o espaço ao mesmo tempo e a existência de outros equipamentos que emitam calor devem ser consideradas a fim de escolher o aparelho ideal. "Com essas variantes, conseguimos especificar a potência adequada do equipamento", afirma a profissional.

 

Calculando os BTUs



Projeto Oliva Arquitetura | Foto: Renan Soares

 

Mas afinal, o que são esses BTU's? A sigla em inglês – British Thermal Unit –, pode ser traduzida como 'Unidade Térmica Britânica' e, em linhas gerais, indica a potência que o aparelho tem para realizar o resfriamento do ambiente. O número de BTUs deve ser determinado com base no tamanho do ambiente e do número de pessoas que o ocuparão. De modo geral, a conta do profissional de arquitetura considera o tempo que o ar-condicionado leva para resfriar o espaço: via de regra, cada metro quadrado exige 600 a 800 BTUs de potência. No entanto, algumas variáveis podem influenciar essa conta:

 

Sombra e Luz

Se o ambiente tiver muita sombra, a capacidade de BTU's ser reduzida em 10%. Caso o ambiente receba muita luz solar, a potência deve ser ampliada em 10%.

Número de usuários

Se mais de duas pessoas ocuparem o ambiente, recomenda-se adicionar 600 BTUs para cada uma.

Função do espaço

Se o aparelho for instalado em uma cozinha a capacidade deve ser expandida em 4.000 BTUs devido à presença de fogareiros e fornos que elevam bastante a temperatura local.

"A especificação da potência errada pode resultar em um sistema de refrigeração ineficiente e, em alguns casos, se torna desconfortável e até prejudicial para a saúde por conta do frio em excesso", destaca Fernanda.

 

Escolhendo o cômodo



Foto 3: Projeto Oliva Arquitetura | Foto: Renan Soares 

Em projetos residenciais com possibilidade de instalação de um único ar-condicionado a sugestão das especialistas é que os moradores avaliem qual é o ambiente mais quente, qual o mais utilizado, e em qual deles o calor mais incomoda. "De uma maneira geral, todos acabam preferindo o quarto, pois para dormir é um pouco mais complicado quando estamos no calor intenso", relata Cristiane. A arquiteta ainda lembra que, com a pandemia e a longa permanência em casa, algumas famílias têm preferido fazer a instalação do aparelho na sala, uma vez que passam mais tempo na área social da casa.

 

Pré-requisitos para instalação

Projeto Cristiane Schiavoni | Foto: Carlos Piratininga

A instação do aparelho exige uma infraestrutura adequada. É essencial que haja um ponto de dreno para que a condensação da água escoe e não cause infiltrações. Também é necessária a instalação de uma tubulação de cobre que formará a rede frigorígena apropriada para abastecer a máquina. Outro ponto indispensável está na observância da parte elétrica: sempre é necessário verificar se a rede existente comporta o abastecimento de energia do aparelho (em caso negativo, é preciso realizar adaptações para suprir a demanda).

 

Posicionamento 

 

Projeto Cristiane Schiavoni | Foto: Carlos Piratininga

Para que o aparelho funcione de maneira ideal é necessário posicioná-lo na altura adequada e calcular a proporção relativa ao pé direito do espaço. Simplificando, casas com pé direito de altura padrão (em média, 2,70 m), devem posicionar o ar-condicionado 10cm abaixo do teto. Em ambientes com pé-direito duplo, a medida precisa ser revista e avaliada por um técnico em refrigeração. "A melhor posição é sempre eleita de acordo com a definição técnica, mas não necessariamente precisa ser sempre centralizada. Nosso desafio é encontrar um ponto em que a refrigeração seja uniforme, sem deixar que o ar incida diretamente em alguns locais e desprivilegie outros. Como tudo, equilíbrio é fundamental", afirma Bianca.

Resumindo: não é indispensável que o aparelho fique exatamente centralizado no ambiente. Na verdade, o mais importante é que ele seja instalado em uma altura adequada em relação ao teto e em um local que possibilite a refrigeração homogênea.

 

Ar-condicionado na cozinha

Projeto Cristiane Schiavoni | Foto: Carlos Piratininga 

 

O ar-condicionado pode ser instalado em qualquer ambiente, inclusive na cozinha. Durante o uso do fogão e do forno o local tem tudo para se tornar o lugar mais quente da casa! No entanto, o equipamento por lá exige atenção especial: é essencial que haja uma coifa ou depurador apropriado para livrar a cozinha de toda fumaça que possa atrapalhar o funcionamento do ar-condicionado (sem contar que a necessidade de manutenção e higienização deverá ser feita com maior frequência). "Outro fator a se considerar é com relação ao preparo das refeições, já que pode interferir diretamente em servir 'comida quentinha' ou em esfriá-la mais rapidamente", opina Fernanda.

 

 

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