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Arquitetura

Garagem na medida certa

Onde: Santa Catarina • 14 de Julho - 2026 |

O crescimento dos SUVs e das picapes desafia as dimensões das vagas em edifícios, influencia novos projetos e exige mais atenção de quem pretende comprar um imóvel.

Garagem projetada pela GaragePlan para garantir rampas, manobras e circulação mais confortáveis para diferentes tipos de veículos no Edify One, em Itapema (SC).

O aumento das dimensões dos automóveis transformou o ato de estacionar em um desafio cotidiano. As garagens encolheram? Não. Os carros é que cresceram. Modelos atuais frequentemente têm dimensões semelhantes às de veículos considerados grandes há duas décadas, e o avanço dos SUVs contribuiu para essa mudança. Em 2025, eles já representavam a maior parcela das vendas de veículos novos no Brasil, tendência que continua em expansão.

 

Para o motorista, isso significa manobras mais difíceis, portas que mal conseguem ser abertas e conflitos frequentes entre vizinhos por falta de espaço lateral. Isso também coloca uma questão para arquitetos e incorporadores: projetar apenas para atender às exigências legais ou considerar a evolução do perfil dos veículos utilizados pelos moradores?

 

No Brasil, não existe uma lei federal que determine uma dimensão única para vagas de garagem em edifícios residenciais. As regras variam conforme a legislação de cada município. Em Curitiba, por exemplo, o decreto que regulamenta o Código de Obras permite que até 30% das vagas de edifícios residenciais tenham dimensões reduzidas de 2,20 metros de largura por 4,50 metros de comprimento. As demais devem seguir as medidas previstas no projeto aprovado. Já a das vagas, dos corredores de circulação e das áreas de manobra é de responsabilidade do proprietário e do responsável técnico pelo projeto.

 

Para efeito de comparação, um SUV grande costuma medir entre 4,75 e 4,90 metros de comprimento, enquanto uma picape full-size, como a Ram 1500, chega a aproximadamente 5,92 metros de comprimento e 2,08 metros de largura. Com os espelhos abertos, a largura ultrapassa 2,40 metros, o que mostra como uma vaga que atende à legislação pode não oferecer conforto para veículos desse porte.

 

Diante desse cenário, é desejável que a garagem de edifícios mereça a mesma atenção dedicada à planta do apartamento ou à área de lazer antes da compra de um imóvel. Quem possui ou pretende adquirir um SUV ou uma picape deve verificar não apenas as dimensões da vaga, mas também a largura dos corredores de circulação, a posição de pilares e o espaço disponível para as manobras.

 

Para o comprador, uma boa prática é incluir a garagem entre os critérios de avaliação do imóvel, verificando não apenas o tamanho da vaga, mas também o espaço disponível para manobras e circulação. Além disso é importante simular a abertura das portas e observar se há espaço suficiente para retirar crianças da cadeirinha, descarregar compras e acessar o porta-malas — detalhes que fazem diferença no uso cotidiano e nem sempre são percebidos durante uma visita rápida.

 

Essa preocupação já começa a influenciar o mercado imobiliário. Em empreendimentos mais recentes, especialmente no segmento de alto padrão, algumas incorporadoras passaram a projetar vagas mais amplas e áreas de circulação mais generosas. A mudança acompanha a evolução do tamanho dos veículos e demonstra que a garagem também é uma forma de valorizar o imóvel e ser diferencial de venda.

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