Arquitetura para o calor do verão brasileiro
Onde: • 28 de Janeiro - 2026 |
Em um país de amplitudes climáticas tão marcantes, projetar sem leitura ambiental é abrir mão de eficiência, coerência técnica e qualidade de vida.
Janeiro é verão no Brasil. Mas, do ponto de vista do desempenho ambiental, não existe um único verão brasileiro. Há verões úmidos e salinos no litoral, verões abafados em áreas urbanas densas, verões secos no interior e, em alguns estados, uma condição térmica que se estende por grande parte do ano. Para a arquitetura, essa diversidade não é apenas um contexto. Ela define parâmetros de projeto, condiciona decisões construtivas e impacta diretamente o conforto, o consumo energético e a longevidade das soluções.
Foi por isso que escolhemos nos especializar em clima. Porque conforto térmico deve ser uma meta mensurável. E porque, em um país de amplitudes climáticas tão marcantes, projetar sem leitura ambiental é abrir mão de eficiência, coerência técnica e qualidade de vida.
No Estúdio Convexo Arquitetura, o clima é premissa. A tomada de decisão parte de um esquema técnico que considera orientação solar, regimes de ventos, níveis de umidade, sombreamento, propriedades termo-higrométricas dos materiais, estratégias passivas e o comportamento do edifício ao longo do dia e das estações. A forma não vem antes do desempenho. Ela é consequência de um raciocínio que busca reduzir cargas térmicas, melhorar a ventilação, evitar ganhos indesejados e qualificar a experiência do usuário sem depender exclusivamente de sistemas ativos.
No litoral do Paraná, por exemplo, o verão é intenso e, muitas vezes, instável. Em Guaratuba, onde o Estúdio Convexo atua com dois empreendimentos, o La Vista, em construção, e o projeto do residencial Pé na Areia, o desafio técnico envolve projetar para uma condição de alta umidade, variações rápidas de temperatura e incidência solar relevante, além de uma atmosfera que interfere na durabilidade dos componentes. Nesse contexto, falar de litoral sempre remete ao verão, mas também a um conjunto de decisões que precisam equilibrar ventilação cruzada, proteção solar, desempenho de fachadas e conforto nos ambientes de permanência, evitando a sensação de abafamento e a perda de qualidade espacial nos horários críticos.
No Tocantins, o desafio foi de outra natureza. No Forma 32, o verão se apresenta como uma condição térmica persistente, com alta incidência solar e uma exigência contínua de controle de ganhos de calor. A arquitetura, nesse caso, precisa operar como um sistema de proteção e regulação, reduzindo a carga térmica desde a implantação e trabalhando com estratégias que ampliem a eficiência passiva do edifício.
Em ambos os cenários, o clima determina como as pessoas habitam, circulam e permanecem nos espaços. Muda a forma de usar áreas externas, altera rotinas domésticas e influencia o tempo de permanência em cada ambiente. Por isso, arquitetura bioclimática é estratégia aplicada à construção civil. Uma abordagem que transforma o clima em ferramenta de projeto, elevando o padrão de desempenho e reforçando a responsabilidade técnica de quem desenha para o cotidiano.
Sobre os autores
Paula Morais é arquiteta, especialista em Arquitetura Bioclimática e Meio Ambiente pela Universidad Politécnica de Madrid.
Rogerio Shibata é arquiteto, mestre em Sustentabilidade e especialista em Construções Sustentáveis pela UTFPR.
Juntos, lideram o Estúdio Convexo Arquitetura, com sede em Curitiba e atuação nacional em projetos orientados por desempenho climático, inovação e sensibilidade ambiental.
Saiba mais em: www.estudioconvexo.com
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