Verão ao redor da piscina
Onde: • 29 de Dezembro - 2025 | Fotos Manuel SáNa residência de 450 m², com projeto assinado pelo escritório Taguá Arquitetura, a piscina não funciona apenas como área de lazer, mas como eixo que articula toda a casa.
Vale a pena ter piscina em casa? Durante muito tempo, ela foi tratada como item de luxo, associada a grandes terrenos e uso eventual. Mas, em períodos de calor e maior permanência em casa, a piscina vem assumindo outro papel: o de espaço central de convivência. Mais do que lazer, ela passa a estruturar encontros, refeições, festas e o uso cotidiano dos ambientes sociais, redefinindo a forma como a casa é vivida.
Nesta residência de 450 m², com projeto assinado pelo escritório Taguá Arquitetura, a piscina não funciona apenas como área de lazer, mas como eixo que articula estar, jantar e cozinha gourmet, criando um ambiente contínuo para receber bem e permanecer.
Implantada de forma estratégica, a piscina estabelece uma relação direta com as áreas sociais internas e externas. Grandes aberturas permitem que os ambientes se integrem visualmente ou fisicamente, conforme a dinâmica do momento. O pano de vidro que separa a área gourmet do living pode ser totalmente aberto, ampliando o espaço e diluindo limites entre dentro e fora, sem compartimentações rígidas.
“Desde o início, nossa intenção foi garantir uma circulação fluida, mas ao mesmo tempo preservar momentos de intimidade, com soluções que valorizassem tanto a convivência quanto o recolhimento”, explicam os arquitetos Thiago Benedetti Brugnolo e Mariana Rotta, à frente do Taguá Arquitetura.
A cozinha gourmet, posicionada junto à área externa, reforça essa lógica. Integrada à piscina e às áreas de estar e jantar, ela permite que o preparo das refeições aconteça como parte da convivência, sem isolamento. É um espaço projetado para o uso cotidiano e também para encontros maiores, em que a casa se adapta ao ritmo da reunião.
A organização do programa contribui para esse equilíbrio. As áreas sociais ocupam o centro do lote, enquanto o bloco de serviços — lavanderia e quarto de hóspedes — foi implantado na lateral oeste, garantindo discrição e resguardo. No pavimento superior ficam os dormitórios e um escritório com vista para o living, mantendo a separação clara entre áreas íntimas e sociais.
Do ponto de vista construtivo, o projeto trabalha com contrastes bem definidos. O volume térreo é revestido com ripas de concreto, que conferem solidez e proteção. Entre a garagem e a escada, ripas de alumínio com acabamento amadeirado introduzem uma variação de textura e temperatura visual. No pavimento superior, brises de alumínio com abertura tipo camarão permitem controle de luz e ventilação, além de imprimir movimento à fachada. Um beiral metálico amplia o sombreamento e contribui para o conforto térmico.
“Trabalhamos com o equilíbrio entre a solidez do concreto e a suavidade da madeira, tanto para reforçar a identidade da casa quanto para criar atmosferas mais acolhedoras e humanas”, comentam os arquitetos. “Essa combinação ajuda a construir uma casa visualmente forte, mas confortável para o dia a dia.”
O living com pé-direito duplo reforça essa proposta ao estabelecer uma relação visual entre os pavimentos, mantendo a casa conectada mesmo quando os usos são distintos. É uma solução que favorece a convivência sem comprometer a privacidade.
Mais do que um projeto voltado ao impacto formal, esta residência revela uma maneira de morar em que a piscina organiza o uso da casa, orienta os encontros e define a experiência de estar. Em um período marcado por calor e celebrações, ela deixa de ser cenário para assumir o protagonismo