Vale a pena comprar móveis pela internet?
Onde: • 19 de Janeiro - 2026 | Fotos UnsplashO que funciona bem — e o que ainda pede loja física.
Comprar móveis online deixou de ser novidade. Hoje, o e-commerce faz parte da rotina de quem monta ou renova a casa, impulsionado pela praticidade, variedade de opções e facilidade de comparar preços. Mas quando essa escolha entra no território do projeto — com medidas precisas, uso intenso e expectativas de durabilidade — a decisão ganha outro peso.
Para entender como arquitetos e designers avaliam essa prática, a Casa Sul ouviu profissionais da área e reuniu impressões diretas sobre quando a compra online funciona, onde mora o risco e até que ponto vale apostar nesse caminho.
O primeiro dado já dá o tom da conversa. Nenhum dos profissionais ouvidos afirmou indicar a compra online de mobiliário com frequência. A maioria diz que raramente indica, enquanto o restante utiliza apenas em situações bem específicas. Ou seja, o e-commerce não é descartado, mas também não é tratado como solução padrão dentro do projeto.
Essa cautela aparece, principalmente, quando se fala em experiências práticas. Metade dos profissionais relatou que problemas com móveis comprados pela internet acontecem “às vezes”, e uma parte menor diz que já enfrentou dificuldades com frequência. Não é algo constante, mas também está longe de ser exceção.
O QUE COMPRAR
Quando a compra online entra em cena, ela costuma ser direcionada a peças mais simples e de menor risco. Móveis de apoio lideram com folga a lista do que mais funciona nesse formato. São itens mais fáceis de medir, testar no espaço e substituir, caso algo não saia como esperado. Estantes e racks aparecem pontualmente, enquanto alguns profissionais preferem simplesmente não comprar nenhum tipo de mobiliário online para projetos.
Já cadeiras e sofás — peças diretamente ligadas a conforto e ergonomia — seguem sendo vistas com mais reserva. A impossibilidade de sentar, tocar o material ou avaliar a densidade da espuma ainda pesa bastante na decisão.
Os cuidados citados pelos profissionais ajudam a entender esse limite. Conferir medidas com atenção, analisar materiais e acabamentos, checar ficha técnica, política de troca e prazos de entrega aparecem como pontos essenciais. A compra online até pode funcionar, mas exige leitura técnica e zero improviso.
MELHORES LOJAS
As lojas mais mencionadas também revelam um padrão. Westwing aparece como a plataforma mais citada entre arquitetos e designers, seguida por Tok&Stok. MadeiraMadeira surge pontualmente, e algumas respostas indicam outras lojas específicas, usadas conforme o tipo de peça e o perfil do cliente. Em comum, está a busca por marcas que ofereçam informações claras, bom pós-venda e logística confiável.
Quando o olhar se volta para o futuro, a percepção é bastante equilibrada. Para a maioria dos profissionais, o e-commerce de mobiliário deve coexistir com as lojas físicas. Não se trata de substituir um modelo pelo outro, mas de entender que cada canal cumpre um papel diferente. Há quem veja crescimento com limites bem definidos e quem ainda identifique certa insegurança, especialmente para peças mais complexas.
No fim das contas, a resposta à pergunta inicial passa menos pelo “sim ou não” e mais pelo “depende”. Comprar mobiliário pela internet pode valer a pena, desde que a escolha seja consciente, técnica e alinhada ao tipo de peça. Para o consumidor final, o risco pode ser aceitável. Para o projeto, ele precisa ser calculado.
O e-commerce entrou de vez no mercado de interiores, mas, na prática profissional, ele ainda funciona como ferramenta complementar — nunca como atalho.