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Ponche: a bebida que atravessou séculos e voltou à mesa

Onde: Curitiba • 25 de Dezembro - 2025 | Fotos Divulgação

Da tradição europeia às celebrações contemporâneas, por que o ponche faz sentido no Natal 

Muito antes de se tornar presença comum em festas e reuniões familiares, o ponche já cumpria um papel social claro: reunir pessoas ao redor de uma bebida pensada para ser compartilhada. Sua origem remonta ao século XVII, quando a mistura de vinho, frutas, especiarias e destilados começou a circular entre a Europa e a Ásia, especialmente a partir das rotas comerciais inglesas. O nome vem do termo hindi panch, que significa “cinco” — referência aos cinco elementos que compunham a bebida original: álcool, açúcar, frutas cítricas, água e especiarias. 

 

Ao contrário dos coquetéis individuais, o ponche nasce coletivo. Ele é preparado em quantidade, servido em jarras ou bowls e consumido aos poucos, acompanhando conversas longas, refeições extensas e encontros sem pressa. Essa lógica explica por que ele atravessou gerações e reaparece com força em épocas festivas, especialmente no fim do ano. 

 

O que define um ponche clássico 

A receita tradicional não busca potência alcoólica, mas equilíbrio. O vinho — tinto ou branco — costuma ser a base, complementado por sucos naturais, frutas frescas e uma pequena dose de destilado, como conhaque ou rum. Canela, cravo e cascas cítricas entram para dar profundidade aromática. O resultado é uma bebida fresca, aromática e fácil de beber, pensada para acompanhar a comida, não competir com ela. 

 

Outro ponto essencial é o tempo. O ponche melhora depois de algumas horas de descanso na geladeira, quando as frutas liberam sabor e as especiarias se integram à mistura. Não é uma bebida de preparo apressado — e talvez aí esteja parte de seu charme. 

 

Por que o ponche funciona no almoço de Natal 

No almoço de Natal, em que a mesa costuma se estender por horas, o ponche cumpre uma função prática e simbólica. Ele pode ser servido logo na chegada dos convidados, acompanha entradas e pratos principais sem pesar e dispensa a reposição constante de bebidas individuais. 

 

Além disso, é uma alternativa elegante para quem busca algo mais leve do que espumantes ou drinks elaborados. Servido bem gelado, com frutas aparentes e em recipientes generosos, ele contribui para o clima de celebração sem exigir formalidade. 

 

Sugestão de ponche para o Natal 

Para o almoço natalino, a versão mais indicada é a de vinho branco, por ser mais fresca e versátil. 

 

Ingredientes 

  • 1 litro de vinho branco seco 
  • 500 ml de suco de laranja natural 
  • 300 ml de água com gás 
  • 150 ml de conhaque ou rum claro 
  • 2 laranjas em rodelas 
  • 1 maçã verde em cubos 
  • 1 limão siciliano em fatias 
  • 1 pau de canela 
  • 2 cravos-da-índia 
  • Açúcar ou mel a gosto 
  • Gelo 

Preparo 
Misture o vinho, o suco e o açúcar até dissolver. Acrescente as frutas, as especiarias e o destilado. Leve à geladeira por pelo menos duas horas. Na hora de servir, complete com gelo e água com gás. 

 

O ponche como bebida aberta à adaptação 

Embora tenha uma origem bem definida, o ponche nunca foi uma bebida rígida. Pelo contrário: ele sempre se adaptou ao contexto, aos ingredientes disponíveis e ao clima de cada região. É justamente essa flexibilidade que explica por que a bebida atravessou séculos e hoje pode assumir versões mais leves, frescas e alinhadas ao paladar atual. 

 

No Brasil, onde o Natal acontece em pleno verão, faz sentido aliviar a estrutura do ponche clássico. Isso significa renunciar especiarias mais intensas, reduzir o teor alcoólico e valorizar frutas frescas, sucos naturais e bebidas mais leves. Nessa leitura contemporânea, o vinho pode dar lugar ao espumante — alcoólico ou não —, o suco de laranja pode ser substituído por pêssego, uva branca ou maçã, e as frutas entram de acordo com a preferência de quem recebe. 

 

Mais do que seguir uma fórmula, o ponche passa a funcionar como uma bebida de base, que se ajusta ao ritmo da mesa e ao clima da ocasião. 

 

Sugestão de ponche leve, com identidade brasileira 

Essa versão é ideal para o almoço de Natal, quando a bebida acompanha a refeição por mais tempo e pede frescor. 

 

Ingredientes 

  • 1 garrafa de espumante brut ou moscatel 
    (pode ser alcoólico ou sem álcool) 
  • 400 ml de suco de pêssego natural ou integral 
  • 200 ml de água com gás 
  • 1 manga madura em cubos 
  • 1 pêssego em fatias 
  • Uvas verdes cortadas ao meio 
  • Folhas de hortelã ou erva-cidreira 
  • Gelo 

 

Preparo 
Em uma jarra grande, misture o suco de pêssego com as frutas e leve à geladeira por cerca de uma hora. Na hora de servir, acrescente o gelo, o espumante e finalize com a água com gás. As ervas entram por último, apenas para perfumar e refrescar. 

 

Essa versão dispensa especiarias e destilados, resultando em uma bebida mais leve, aromática e fácil de beber, ideal para climas quentes e encontros prolongados. 

 

No fim, o ponche continua cumprindo seu papel original: reunir pessoas em torno da mesa, acompanhar a conversa e respeitar o tempo do encontro. Seja na versão clássica ou adaptada ao verão brasileiro, ele funciona menos como receita fixa e mais como gesto de receber.