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O vazio na arquitetura

Onde: • 13 de Julho - 2026 | Fotos Caroline Thibault, Alexia Alario

Projeto mostra como áreas livres podem reduzir a sobrecarga visual, valorizar a arquitetura e transformar a experiência dos moradores.

Estudos da psicologia ambiental associam ambientes com excesso de objetos — conhecido pelo termo em inglês clutter — à redução da sensação de bem-estar e ao aumento da sobrecarga mental. Isso acontece porque, sem percebermos, nosso cérebro processa continuamente formas, cores, texturas e objetos. Quando um ambiente está totalmente ocupado, cada elemento disputa atenção. É nesse ponto que arquitetos e designers fazem a diferença, ao encontrar o equilíbrio entre os elementos e criar uma composição visual mais confortável.

 

Mas o que acontece quando um espaço parece vazio demais? Embora pareça contraintuitivo, deixar espaços vazios também é uma decisão de projeto. O vazio, nesse caso, não representa falta de mobiliário ou de personalidade, mas um recurso de composição capaz de organizar a percepção do espaço, valorizar a arquitetura e oferecer pausas para o olhar. Assim como a música depende do silêncio entre as notas, os ambientes também se beneficiam de áreas livres que equilibram a experiência visual.

 

Essa lógica orienta a Plateau Kyoto Residence, reforma assinada pelo estúdio canadense Indee Design para uma residência no bairro Plateau Mont-Royal, em Montreal, no Canadá. Inspirado no minimalismo japonês e no design de meados do século XX, o objetivo do projeto foi reorganizar a casa utilizando o vazio como um elemento tão importante quanto os materiais, o mobiliário e os objetos decorativos.

 

A proposta não é minimalista apenas pela quantidade reduzida de móveis. Há uma preocupação evidente em concentrar as funções nas bordas dos ambientes, liberando o centro para a circulação e para diferentes usos. A marcenaria desenha nichos, bancos, estantes e armários como se fizessem parte da própria arquitetura, reduzindo a necessidade de peças soltas. Ao mesmo tempo, o projeto cria uma continuidade visual entre sala, cozinha, jantar e escada, reforçada pela repetição da madeira clara, pelos planos brancos e pela entrada abundante de luz natural.

 

Outro aspecto marcante é a forma como o projeto equilibra rigor e informalidade. Embora as linhas sejam precisas e a composição bastante controlada, há espaço para o cotidiano da família: a área infantil integrada, os bancos incorporados à arquitetura, a mesa redonda que incentiva a convivência e até elementos lúdicos, como a parede de escalada e o escorregador para carrinhos. Isso evita que a casa assuma um caráter contemplativo ou excessivamente austero.

 

O aparente vazio desaparece quando a casa começa a ser usada. É ali que as crianças brincam, que as pessoas circulam, que a luz percorre os ambientes e que o olhar encontra pausas entre um elemento e outro. Nesse projeto, o espaço livre não é o que sobrou; é parte da composição.