Arquitetura

O arquétipo de uma casa

Onde: Curitiba • 03 de Setembro - 2026 | Fotos Mahani Siqueira

Projeto da casa de 318 m² em Santa Felicidade, assinado por Jorge Elmor, faz uma releitura do desenho tradicional da casa, traduzindo-o para uma arquitetura contemporânea, marcada por madeira e pedra.

A expressão “casa com cara de casa” costuma aparecer em briefings de arquitetura quando os clientes querem se afastar de projetos muito experimentais ou com aparência excessivamente minimalista e desejam um lar facilmente reconhecível. Mas, afinal, o que é uma casa com cara de casa? Existe um arquétipo universal? Tudo indica que sim: um volume simples, coroado por duas linhas inclinadas que definem o telhado, é a primeira forma que vem à memória.

 

É justamente desse ponto que parte o projeto assinado pelo arquiteto Jorge Elmor, do Estúdio Elmor, em Curitiba. Em vez de negar essa imagem, a arquitetura da casa de 318 m², em Santa Felicidade, assume o arquétipo como estrutura inicial, reinterpretando-o em uma linguagem contemporânea, marcada por materiais elementares como pedra e madeira natural.

 

Projetada em formato “L”, a residência se abre para um jardim interno que conecta organicamente a cozinha e o living através da varanda. A fachada apresenta linhas limpas, com grandes aberturas e esquadrias de PVC (Weiku) — com acabamento que reproduz o visual da madeira — além de brises e revestimento em pedra São Tomé nos volumes principais, favorecendo a entrada de luz natural e estabelecendo uma relação direta entre o interior e o exterior.

 

O pedido partiu de um casal com um filho pequeno, que valoriza a convivência e costuma receber amigos para cozinhar. O projeto de arquitetura e interiores traduziu esse modo de viver em espaços amplos e integrados, trazendo a cozinha como ponto central. Dimensionada para acompanhar o ritmo da família, a cozinha conta com uma grande ilha central, piso em ladrilho hidráulico, bancada em mármore Branco Paraná e metais em inox escovado.

 

No living, o pé-direito generoso amplia a sensação de amplitude e destaca o forro de madeira com vigas aparentes, além da marcante lareira revestida em pedra — elemento que repete a identidade visual da fachada. O piso em madeira cumaru está presente em diferentes ambientes para reforçar a continuidade e o calor visual. Esse mesmo cuidado se reflete em detalhes como a escada, executada em estrutura metálica com degraus e corrimão em madeira maciça cumaru, guarda-corpo em barras metálicas e uma iluminação zenital sobre o vão.

 

Veja o projeto completo na edição 121 da revista