Ideia sustentável
Onde: São Paulo • 05 de Novembro - 2026 | Fotos Guilherme PucciConheça o apartamento em que cacos de pedras descartadas dão vida a piso exclusivo.
Na contramão das soluções padronizadas que dominam o mercado de revestimentos, o Apartamento RS, localizado na Vila Ipojuca, em São Paulo, encontrou sua identidade no reaproveitamento. O projeto de 95 m², assinado pelo escritório Zalc Arquitetura, foi desenhado para uma moradora que, com os filhos já independentes, buscava um lar prático, integrado e visualmente marcante para receber visitas.
O ponto de partida de toda a área social é o piso. Em vez de escolher um lote de porcelanato ou pedras uniformes, o arquiteto Rafael Zalc garimpou cacos de mármore e resíduos de diferentes rochas que estavam esquecidos em depósitos e marmorarias. Esses pedaços, que normalmente seriam descartados pela indústria por causa de pequenos defeitos ou tamanhos irregulares, foram assentados um a um sobre uma base de cimento branco. O resultado é uma paginação exclusiva em formato palladiana, onde cada fragmento carrega uma textura e um desenho próprios.
Mais do que uma escolha ecológica e econômica, o piso acabou definindo a identidade cromática do apartamento. Os tons terrosos e acinzentados das pedras resgatadas serviram de guia para a escolha dos outros acabamentos. Na cozinha integrada, a marcenaria ganha vida com um tom de rosa queimado, enquanto a bancada e a coifa em preto trazem contraste gráfico ao ambiente.
O layout reforça a sensação de continuidade. A ala social flui sem barreiras entre a cozinha com ilha, o jantar e a sala de estar, conectando-se diretamente à varanda. No teto, a laje de concreto original foi mantida aparente, exibindo as marcas da fôrma e a tubulação elétrica externa. Esse visual mais bruto conversa com a crueza do piso de pedras, mas ganha equilíbrio e aconchego por meio dos painéis e portas em madeira clara de carvalho americano.
A inteligência do projeto também aparece na flexibilidade dos espaços e no planejamento a longo prazo. A antiga segunda suíte foi aberta e deu lugar a uma sala multiuso, que funciona como home office no cotidiano e quarto de hóspedes quando necessário, isolada por portas de correr. Pensando no futuro, o escritório eliminou degraus e incluiu vãos de passagem maiores nas portas, além de uma rampa suave que nivela o acesso ao banheiro principal. É uma arquitetura focada no bem-estar real, onde o luxo se traduz no tempo dedicado ao garimpo e no desenho feito sob medida para a vida da moradora.