Arquitetura

Casa aberta

Onde: São Paulo • 30 de Julho - 2026 | Fotos Denilson Machado - MCA

Imóvel dos anos 1940 que pertenceu ao artista Victor Brecheret ganha nova vida como residência e escritório.

Reformar uma casa com valor histórico exige encontrar um ponto de equilíbrio entre preservação e atualização. Construída na década de 1940 e localizada no bairro Jardins, em São Paulo, a reforma desta residência de 130 m² manteve praticamente toda a configuração original dos ambientes. A transformação aconteceu principalmente na escolha dos materiais, nas novas aberturas e na forma como a iluminação natural foi ampliada.

 

O imóvel pertenceu ao escultor Victor Brecheret e permaneceu fechado por décadas após sua morte, servindo como depósito de parte do acervo do artista. Quando decidiu instalar ali sua residência e seu escritório, o arquiteto Guilherme Torres encontrou uma construção compacta, descaracterizada por reformas sucessivas, mas com estrutura suficiente para receber uma nova leitura arquitetônica.

 

A intervenção conduzida pelo profissional manteve a planta original e concentrou as mudanças nos revestimentos, esquadrias e acabamentos. Com isso, a memória da construção foi mantida e revestida de uma linguagem contemporânea.

 

O elemento que define o projeto aparece logo na entrada. Um grande volume revestido por muxarabi de madeira envolve a porta principal, avança sobre o pátio interno e cobre a área da banheira localizada junto à suíte. A peça controla a incidência solar, garante privacidade e produz desenhos de luz e sombra que percorrem paredes, pisos e teto ao longo do dia.

 


A cozinha, aberta para o pátio, combina mobiliário de linhas discretas com uma bancada laranja e uma grande mesa de madeira reaproveitada, que reúne preparo dos alimentos, refeições e convivência no mesmo espaço.

 

A madeira aparece novamente nas portas, nos painéis e em peças de mobiliário, equilibrando a predominância do concreto aparente, do microcimento e das paredes brancas. São poucos materiais, explorados em diferentes escalas e aplicações.

 

A decoração segue o mesmo princípio. Obras de arte, livros, luminárias e objetos ocupam pontos específicos da casa, permitindo que a arquitetura permaneça em evidência. Intervenções de forte presença visual quebram a neutralidade dos ambientes, como a instalação em neon na fachada, a iluminação vermelha do hall e pequenos elementos em tons vibrantes distribuídos pelo interior.

 

No pavimento superior, a suíte se conecta a um terraço onde foi instalada uma banheira protegida por cobertura retrátil de vidro. Nos dias quentes, a abertura amplia a ventilação natural. O muxarabi reduz a intensidade do sol sem bloquear a entrada de luz.