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Arte que vive na cidade

Onde: • 09 de Janeiro - 2026 |

As esculturas de João Turin como roteiro de turismo cultural em Curitiba.

Curitiba abriga um acervo a céu aberto que muitas vezes passa despercebido na rotina da cidade. Espalhadas por praças, parques e espaços institucionais, as esculturas de João Turin formam um percurso possível para quem deseja conhecer a capital paranaense por meio da arte e da história.

 

Nascido em Morretes, no litoral do Paraná, Turin mudou-se ainda criança para Curitiba, onde iniciou sua formação artística. Em 1906, conquistou bolsa para estudar na Academia Real de Belas Artes de Bruxelas e passou anos na Europa, especialmente em Paris, no mesmo período em que a cidade reunia alguns dos principais nomes da arte moderna. Retornou ao Brasil em 1922 e viveu aqui até sua morte, em 1949.

 

Sua produção vai além das esculturas animalistas pelas quais ficou conhecido. Turin trabalhou também com figuras humanas, temas históricos, desenhos, pinturas e projetos de design. Das mais de 400 obras deixadas pelo artista, cerca de 100 estão hoje em exibição permanente no Memorial Paranista, em Curitiba, além de exemplares espalhados por espaços públicos no Paraná, no Rio de Janeiro e na França.

 

A seguir, sete obras que ajudam a compreender sua trajetória — e que podem ser visitadas como parte de um passeio cultural pela cidade.

 

 

 

1. Marumbi


Onde ver: Memorial Paranista – Parque São Lourenço
Uma das esculturas mais emblemáticas de João Turin, “Marumbi” retrata o embate entre duas onças. O nome faz referência ao contorno do Pico Marumbi, na Serra do Mar, paisagem ligada à infância do artista. A versão em proporção heróica, com quase três metros de altura e cerca de 700 quilos, é o destaque do Jardim de Esculturas do Memorial.

 

 

 

2. Pietá


Onde ver: Memorial Paranista – Parque São Lourenço
Esculpida em pedra em 1917, na Igreja de Saint Martin, na Normandia, a obra foi considerada perdida por quase 70 anos. Sobreviveu intacta aos bombardeios da Segunda Guerra Mundial e foi redescoberta apenas em 2013. A partir desse resgate, foi possível fundi-la em bronze no Brasil. Hoje, o público pode ver o exemplar no Memorial Paranista.

 

 

 

3. Luar do Sertão


Onde ver: Centro Cívico (Curitiba) e Praça General Osório (Rio de Janeiro)
Inspirada nos estudos anatômicos que Turin fazia a partir das onças do Passeio Público, a escultura — originalmente intitulada O rugir do tigre — recebeu medalha de ouro no Salão Nacional de Belas Artes em 1947. Em Curitiba, integra a paisagem do Centro Cívico.

 

 

 

4. No Exílio


Onde ver: Memorial Paranista – Parque São Lourenço
Primeira escultura de grandes proporções de João Turin, criada como trabalho de conclusão de curso em Bruxelas, a obra original foi perdida. Em 2022, uma releitura fiel foi realizada pela artista Luna do Rio Apa e posteriormente fundida em bronze. A escultura foi inaugurada em 2023 no Jardim de Esculturas do Memorial.

 

 

 

5. Tigre Esmagando a Cobra


Onde ver: Avenida Manoel Ribas (Curitiba), Memorial Paranista e Quinta da Boa Vista (Rio de Janeiro)
A obra rendeu a Turin sua primeira premiação no Brasil, com medalha de prata no Salão Nacional de Belas Artes em 1944. Representa um dos temas recorrentes do artista: o confronto entre forças da natureza, traduzido em volume, tensão e movimento.

 

 

 

 

6. Cacique Guairacá


Onde ver: Memorial Paranista (Curitiba) e Guarapuava (PR)
Nesta obra, Turin se afasta das representações idealizadas do indígena. O escultor retrata O escultor retrata Guairacá como líder e símbolo de resistência à colonização europeia. A escultura está presente em espaço público desde 1978 em Guarapuava e integra o acervo do Memorial Paranista.

 

 

 

7. Tiradentes


Onde ver: Praça Tiradentes – Centro de Curitiba
Executada na Europa e exibida em Paris em 1922, a escultura de Tiradentes chegou ao Brasil poucos anos depois. Desde 1927, está instalada na praça central da cidade, tornando-se uma das obras mais antigas de Turin em espaço público curitibano.

 

 

Um passeio pela cidade e pela memória

 

Conhecer as esculturas de João Turin é uma forma de experimentar Curitiba com outro olhar. As obras não estão confinadas a um único espaço expositivo — elas fazem parte da cidade, do trajeto cotidiano e da paisagem urbana.

Mais do que um roteiro artístico, esse percurso revela como a arte pública pode atravessar o tempo, permanecer acessível e continuar produzindo significado muito além do momento em que foi criada.