Arquitetura

Arquitetura inclusiva

Onde: Canadá • 13 de Outubro - 2026 | Fotos Maxime Brouillet

Ideias de arquitetura que todo projeto para cadeirante pode incorporar.

Em 2016, uma lesão na medula espinhal mudou drasticamente a vida de Cait, deixando-a parcialmente paralisada. Morando em Montreal, no Canadá, as escadas de seu apartamento transformaram-se em um desafio diário intransponível. Diante da escassez de imóveis urbanos adaptados e da recusa em mudar-se com o parceiro, Mikkel, para os subúrbios — já que a rotina do casal estava consolidada na cidade —, a solução foi ousada: adquirir uma residência centenária de 1907, no bairro de Outremont, e reinventá-la completamente.

 

O desafio de transformar o imóvel sem descaracterizar seu valor histórico foi entregue ao escritório ADHOC. O projeto, batizado de "Vivendo de Forma Diferente, Sem Concessões", demonstra como a arquitetura voltada à acessibilidade pode superar o mero cumprimento de normas técnicas e a instalação de rampas padronizadas, integrando autonomia e dignidade à identidade visual e funcional da edificação.

 

Para equilibrar restrição e liberdade, os arquitetos preservaram intacta a fachada original da casa, marcada pela entrada elevada e pelo forte ritmo vertical típicos das construções locais da época. A principal modificação concentrou-se nos fundos do lote, onde foi erguida uma extensão de três andares para abrigar um elevador central encarregado de conectar todos os níveis do imóvel.

 

O grande diferencial do projeto está na solução encontrada para o fluxo familiar e social: uma nova escadaria foi desenhada para envolver diretamente a estrutura do elevador. Essa disposição permite que Cait, Mikkel e os visitantes circulem juntos pelo mesmo percurso, eliminando barreiras visuais e qualquer sensação de segregação espacial. Internamente, a volumetria e o design de interiores foram reconfigurados com raios de giro amplos e transições de piso perfeitamente niveladas, otimizando o trânsito da cadeira de rodas com sofisticação e fluidez.